RÉDEAS SOLTAS: Sem comando, polícia alagoana confirma retorno da violência


Durante os cerca de sete anos em que esteve à frente do governo de Alagoas, uma das preocupações do ex-governador Renan Filho, (MDB), foi extinguir a escura e vergonha tarja de estado onde mais se matava no Brasil. Reuniões e projetos foram feitos por equipes técnicas que dominavam o tema ‘Segurança Pública”, as quais discutiam com policiais alagoanos.
Enfim, após alguns meses, as ações saíram dos papeis para as ruas e cidades e os resultados em pouco tempo foram conquistados. Alagoas deixou para trás o clima de violência para dá lugar a novos ares.
Delegados, policiais civis e integrantes da Polícia Militar, (PM), se uniram e as desarticulações de quadrilhas, apreensões de armas e drogas e principalmente levar para a cadeia homicidas que desafiavam a sociedade se tornou uma das principais metas.
Mas aliado a tudo isso, além da renovação da frota das policias, compra de novas armas e as construções dos Centros Integrados de Segurança Pública, (Cisps) e por último os concursos públicos também tiveram as nomeações de polícias ‘técnicos’ para funções primordiais, como de comando de delegacias e de batalhões da PM.
Foram cerca de sete anos com os índices da violência em baixa. Mas o que todos acreditavam que não teríamos de volta, começou a bater de novo nas portas de muitas famílias. O retorno dos homicídios, do tráfico e os assaltos a mão armada.
A pergunta que a sociedade hoje tem feito é o que mudou, em menos de 15 dias, com a saída do ex-governador ?
Policiais que participaram dos projetos iniciais para a diminuição da violência têm criticado – principalmente – as exonerações de colegas experientes, hoje obrigados a aceitarem outras funções de menor relevância.
“Não deram sequência num projeto que tem de ser renovado a cada 15 dias. Se parar a violência recomeça. Os criminosos e os crimes se renovam todos os dias. Em todo o mundo. A polícia, por obrigação, tem de ser oxigenada e renovada em suas ações. Rasgaram a página do controle dos crimes em Alagoas e o resultado é este que estamos convivendo. Homicídios todos os dias em todos os lugares e o tráfico reconquistando seus espaços. Está é a nova e fatídica realidade após sete anos”, desabafou um delegado que atualmente ocupa uma função burocrática na Policia Civil.
Na Polícia Militar o desanimo da tropa é outro fator agravante. Antigos comandantes foram forçados a darem lugar a oficiais sem postura de comando e que tem tratado a PM como ‘bico’.
“Em todos os batalhões nós tínhamos oficiais e policiais doutrinados. Recebíamos treinamento semanalmente e todos os dias, antes de irmos as ruas, éramos orientados por nossos comandantes. Seguíamos os planejamentos táticos e as orientações de nossos Serviços de Inteligência. Hoje não. Muitos de nós nem sabe quem é o comandante. Tem comandante que só aparece para as entrevistas. Como podemos ir as ruas se nem sabemos o que estamos fazendo ali ?”, falou um oficial que agora aguardar o tempo de ir para a reserva após comandar alguns batalhões em áreas violentas, no governo passado.
Nos interiores a situação é ainda mais complexa.
Em várias Companhias e GPMs (Grupamento da Polícia Militar), as viaturas estão quebradas ou funcionam improvisadamente, com a ajuda de populares. Os patrulhamentos em áreas rurais têm diminuído, favorecendo a criminalidade.
“Tínhamos blitz todas as semanas em locais que sabíamos que eram rotas de homicidas e tráfico. Nosso patrulhamento era diuturno. Íamos nas feiras livres, mercados e principalmente nas festas. A Polícia Militar, praticamente, estava em todos os lugares. Agora não. O efetivo é o mesmo, mas as ordens de comando não chegam. Em respostas temos homicídios todas as semanas. Em locais onde estávamos constantemente hoje os bandidos dominam. Tá tudo errado”, desabafou outro ex-comandante de Batalhão.